29 de mar. de 2010

mudança

ok, vamos la...
o 3x4 nasceu da literatura, e pretendo mante-lo nesta guia.
Hoje encontrei um caderno antigo com muitas poesias, rascunhos, etc. É difícil reler esses textos e não sentir vergonha (um pouquinhozinho que seja).
Explico: eu não sou nenhuma clarissa drummond de andrade, não tenho grandes obras, textos maravilhosos e também não cultivo a idéia de ser aclamada pela crítica - principalmente porque a maior crítica é sempre minha, e sei que nunca irei agradá-la completamente. Daqui se origina a vergonha.
Minha grande conquista imediata é viver o dia, chegar em casa e ver derrotado o leão daquele dia. os planos futuros, cultivo-os com muito carinho e sonho.
Me vejo grisalha na cadeira de balanço, vendo os netos brincarem, crianças sorrindo, casa cheia, almoço de domingo, a alegria dessas pessoas imaginárias me preenche, quase satisfaz, e sou também alegre então.
São pessoas imaginárias, de cores tão reais - posso sentir a seda dos cabelos, admirar o sol acalentando seus rostos, definidos e sorridentes. Todos os cantos da casa foram pensados para trazer conforto e bem-estar, tanto a eles quanto a mim, que observo, sempre.
Meu poder de observação é intenso e constante, mas não do tipo doentio; muito pelo contrário, cultivo o ato de observar como o descobrir de um acontecimento ilustre, admirando o que vejo, a cada nova revelação, conforme as circunstâncias vão se apresentando, e por vezes, conforme (tento) intervir neste observatóriopassadopresentefuturo.
O julgamento não é moral. (pior,) É literário. Tudo é literário.
Não faço literatura de protesto, com veia política. Não sou a voz de um grupo, de determinado segmento, ou de uma nação. Esta não é minha vocação, e há artistas que realmente se dedicam e são maravilhosos nisto que fazem.
Na verdade, não sei muito bem o que faço; só sei do que não faço e do que não gosto, e somente isto significa, para mim, que amadureci neste sentido. Diferentemente do caderno antigo que encontrei, hoje, 4 anos após a primeira pedra, a primeira poesia, chego à folha em branco com um direcionamento maior, traçando melhor o objetivo das minhas palavras ao serem lidas.
Isto me deixa extremamente contente e segura, na verdade. Por outro lado, um tanto saudosa; como se quisesse rabiscar desenhos com o traço de uma criança de 5 anos e, depois de tanta técnica, simplesmente não mais poder alcançar a pureza e a singeleza desta inocência ao se iniciar a obra.
Porque tudo é uma obra, e tenho uma gana inesgotável em traduzir tudo o que penso em arte, num sentido amplamente amplo, assim redundante, quando da mesma idéia surgem gestos, textos, desenhos, pinturas, esculturas, projetos, música, sorrisos.
Este é o meu processo criativo - observar, sentir intensamente, pensar intensamente, criar laços, fazer elos, interligar, conectar, maquinar as idéias, desconectar, subverter (não podemos esquecer que sou a burguesa reacionária também); e considero que o criativo é o que me compõe.
Como um elemento cognitivo que dê sentido ao ato de erguer-me sobre estas 2 pernas; sem o qual eu simplesmente estou erguida sobre estas 2 pernas. Mais do que isso até, é como erguer-me sobre estas 2 pernas sem pernas, e dar asas.

OK, um texto metalingüístico, extremamente emaranhado entre o que sou, o que me proponho e o que faço. Por hora, gostei das idéias e da técnica. Mas a crítica nunca pode ser vista como eterna (algo que tenho observado).... rsrsrsrs

.:[Cla Cavalin]:.
____________________________________________________________________
AH...a grande mudança sobre a qual queria falar... a partir de agora, meus comentários particulares sobre os textos, situações e as músicas que ouço estarão na seção de comentários da postagem, só para organizar melhor. Assim, todo o texto da postagem será um único corpo, e o fim do mesmo é anunciado pela assinatura [Cla Cavalin]

2 de mar. de 2010

Vida n.1

Good times for a change
See the life i've had
Could make a good man turn bad

So please please please
let me let me let me
let me get what i want this time...

i haven't had a dream in a long time
So for once in my life,
let me get what i want
lord knows it would be the first time...

[The Smiths]

E o que eu quero?
..
quero você,
de qualquer jeito,
a toda hora,
com qualquer humor;

olhar teus olhos que riem,
sentir teu sorriso na minha pele,
calafrios, pelos e cabelos,
e o vento a me respirar,

então, por favor, por favor, por favor,
me deixa ter você,
só um pouquinho, só um carinho,
nem deus sabe o quão bom seria a primeira vez.

.:[Cla Cavalin]:.

8 de fev. de 2010

Teoria da Gênese

(Até onde vai o poder de um sofisma?)

ok, vamos começar do começo
pensem na gênese..

Adão e Eva = órgão sexual M e órgão sexual F

então, analogamente:
peixe e peixa
sapo e sapa
pássaro e pássara
mamífero e mamífera
tomada e interruptor
fone de ouvido e saída de áudio do mp3
chave e fechadura
nylon e miçangas

pra tudo na vida existe um pininho e um buraco,
e, claro, o resultado que decorre disso..

órgão sexual M e órgão sexual F.
interruptor e tomada.
porco e porca.
cenoura e cenouro.
bode e cabrita.

cenoura e órgão sexual F.
tomada e focinho de porco.
órgão sexual M e órgão sexual M.
interruptor e cenouro.
bode e porca.
órgão sexual M e cabrita.
(cabrita?!?!)

Repito a pergunta... até onde vai o poder de um sofisma? Ainda mais um sofisma polêmico acerca do comportamento sexual e bizarro do ser humano...

ok, pode rir agora.. Já expliquei essa minha teoria antes, assim oralmente, e as reações são as mais diversas (e adversas) possíveis... tem gente que não entende, tem gente que faz cara feia, me xinga, tem gente que ri com vergonha de ouvir "órgão sexual" hihihihihhihi. tem gente que dá gargalhada. tem gente que ainda começa a dar mais exemplos... são os ouvintes de quem mais gosto!

.. Falar sobre sexo é tão simples, posso pensar em tabus muito mais profundos; e quando a gente coloca frases de duplo sentido aí é que fica mais engraçado! Ousadia, bom humor e muito respeito, tem como não ser uma goleada desse jeito? Depois dessa explanação toda, que tal um experimento prático? XD

.:[Cla Cavalin]:.

p.s: ADOROOOO PAPO CALCINHA (multishow)

7 de fev. de 2010

Morte n.1

Minha gente boa, minha gente amiga,
Escrevo agora porque o tempo urge. Pior do que isso, eu estou urgindo, exatamente agora!
Ultimamente tenho me pegado pensando, nas hora mais inoportunas e impróprias do dia, que justamente agora, este seria meu último segundo de vida.
Sabe o que é, na verdade eu não queria morrer, quanto menos agora, com a cachola farfalhando de idéias.
Então, galerinha do bem, venho trazer uma mensagem:
Mamãe e papai: Sem alarde, vos informo que seu passarinho está fugindo do ninho. Entendo o que vocês devem estar sentindo, mas parem de me ligar de 5 em 5 minutos! O passarinho agora está virando o jogo e, se vocês cooperarem, jajá ganharão uma mamãe-passarinha pra tomar conta de vocês, minhas crianças! Então vamos negociar um negócio - vocês se comportem direitinho no trabalhinho, tomem seus remedinhos na hora e obedeçam à tia, que quando eu chegar em casa vou dar um beijinho de boa noite em cada um. Amo vocês!
Irmãozinhos: A vida não existiria sem vocês. Ainda não tem idéia do quão forte vocês são. Quando o fatídico dia acontecer, em que perderão as pessoas mais amadas, sintam a dor de verdade, e somente. Sejam sempre gratos pela enorme chance de terem-na conhecido e amado, principalmente. Não há espaço na vida para amargura e para a culpa quando, na realidade, nada está sob nosso controle. Não se assustem com o medo, somos sempre capazes de botá-lo pra correr, pois não há por que ter medo quando se acredita na reconstrução. Não sei explicar isso que sinto por vocês, de querer ensinar, apoiar, abraçar como um escudo, mostrar o mundo; mas me sinto extremamente responsável por vocês, como se fossem um pouco meus filhos também. E é incrível como vocês me retribuem ainda mais, com um simples olhar, com um carinho, com as palavrinhas pronunciadas erradas por uma vozinha aguda e atrapalhada, sempre carregada dessa singeleza linda de ser criança. Amo vocês, ainda mais do que qualquer outra pessoa no mundo!
Para os amigos, amores, mães, irmãs e irmãos do coração, enfim, todas as outras pessoas, serei no mínimo óbvia, ao dizer o que vocês já sabem: Amo vocês! Muito obrigada por todos os momentos preenchidos de vida e alegria - olhares, conversas, risos, choros, abraços, mãos, beijos, ombros, cochilos, chocolates e biscoitos importados, churrascos, natais... cada um com sua poesia pessoal, me tocou de maneira única, e não esqueço de ninguém, estão todos na minha memória e no meu coração enorme de mãe!
Hmm...eu ia falar mais alguma coisa, mas agora já vou esquecendo... menina! escrever revela muitas surpresas, não sabia que tudo o que estava sentindo caberia em 2 folhas de caderno! palavras, hmpf... queria algum outro jeito mais verossímil de expressar esses sentimentos..
Se eu não morrer agora, vou encontrá-lo no fim de semana e finalmente ter meu veredito... É que eu preciso dizer que te amo, te ganhar ou perder, sem engano... e depois conto o resto desta minha história ;)
PS - Mas também se eu não morrer agora, queria ainda me desculpar pela letra praticamente ilegível, está muito difícil escrever no ônibus porque o RJ, pasmem, continua esburacado! sr. prefeito Eduardo Paes, se eu morrer agora pode dormir sossegado porque vou voltar pra te perseguir no sono, palavra de pró-defunta é pra ser levada a sério.


.:[Cla Cavalin]:.

>>> OK, não morri dentro do ônibus...rsrs então aí está o texto na íntegra. Sobre o final daquela história, encontrei com ele no fim de semana, mas, completamente tímida, travei e não consegui dizer o que sentia.. hmmm.. podiam colocar assim no meu epitáfio: Clarissa Cavalin - Viveu intensamente, tanto quanto se permitia. Amava a todos, embora nem todos soubessem. Ok, vai ser mais uma semana ouvindo "é que eu preciso dizer que te amo, te ganhar ou perder sem engano", pra ver se eu ganho coragem ;)
Ah, também queria dizer, antes que me perguntem, ou que coloquem palavras na boca da defunta, que não sonhei com morte nenhuma, não virei vidente, e não tenho a menor idéia se você vai passar de ano ou encontrar o amor da sua vida. Vá estudar, procurar mãe Diná ou o que seja, e não mate esta pobre escritora idiota antes da hora!

1 de fev. de 2010

Cada dia com a sua alegria

Na bancada do meu computador, tem uma foto minha quando criança. Tenho 4 anos e estou sentada no chão, apoiada num sofá, de shortinho azul e regata branca. perninhas esticadas, pés descalços, largo sorriso. Pego o porta-retrato nas mãos. De repente, meu reflexo se destaca no vidro. Tenho 20 anos e estou sentada no chão, apoiada no móvel, de samba-canção azulzinha e regata branca. Perninhas esticadas, pés descalços, dou um largo sorriso... enfim me reconheço. Depois de todo aquele drama adolescente pela busca da identidade, enfim me reconheço. Caramba! 16 anos depois, me encontrei de novo e fiquei tão feliz, como há 16 anos não sabia o que era. Tem gente que já passou da idade e ainda não sabe viver... Ganhei o dia com minha pequenina descoberta! .:[Cla Cavalin]:.

4 de jan. de 2010

Caminhando...

Faleceu, ontem, um grande homem. Grande porque era nobre de espírito, simples e humilde, dentre muitas outras virtudes. Muito mais do que títulos muitos, qualificações, certificados e prêmios, possuía ele algo inatestável em uma folha de papel. Possuía a sensibilidade da vida, no jeito de olhar, no jeito de sorrir, no jeito de se emocionar com lágrimas singelas quando falava sobre algo que lhe tocasse.

E o dom de sua vocação. Não conheço pessoa que lecione como ele o fazia. Tudo era desbravador e interessante, simples e fluido, havia um sorriso em tudo que se descobria. "A alegria não chega apenas no encontro do achado, mas faz parte do processo da busca. E ensinar e aprender não pode dar-se fora da procura, fora da boniteza e da alegria". (Paulo Freire)

Infelizmente, não teve a chance de ver um (ou alguns) de seu(s) grande(s) sonho(s) realizado(s); e não tenho certeza de que essas realizações serão possíveis sem que ele esteja presente.

Para mim, o dia perdeu o brilho, só o que resta são as memórias; e pensar que nunca mais poderei vê-lo, ouvir uma explicação ou uma história, é entristecedor. Sempre faltará um pedaço do chão quando eu passar por aquele corredor da Santa Casa.

Imaginava que quando eu já estivesse formada, estabelecida na profissão, passaria ainda na Enfermaria para visitar a todos, dar abraços, e ele estaria lá, de cabelos brancos e óculos, firme e forte como sempre dissera. E de repente, num dia qualquer, no meio das minhas ações rotineiras, deparo-me com esta notícia.

Dizem-me que sou muito nova e que ainda hei de conhecer muitas outras pessoas que me inspirem na vida e na profissão. Sei que isso é verdade, mas nada é capaz de substituir a perda, principalmente a perda de alguém amado por todos e odiado por ninguém.

Faleceu, ontem, um grande homem. Levou consigo seu intelecto, seus sentimentos, suas descobertas e memórias. Deixou para nós uma vida de sabedoria e experiência. Continuamos juntos, todos, divagando, dia após dia, nesta imensidão, neste nosso mundo que transita entre a lâmina do microscópio e a visão do microscopista, entre o que se observa e o que se interpreta, neste caminho vago e tortuoso que é viver e morrer.

Até logo, ilustre professor. Daqui, todos mandamos nossas saudades.

.:[Cla Cavalin]:.

24 de nov. de 2008

23 de nov. de 2008

Dharma

Dharma

Shhhhhhhhh!
Apenas ouça.....
tum-tum tum-tum tum-tum

AVR AVL AVF V1 V2 V3 V4 V5 V6
todos os eletrodos, qual procissão!
é a guerra! a guerra em mim, confusão!

S/A marcapasso
A/V sigo no passo

Agora imagine.....
se os hippies tivessem a internet,
seria a verdadeira revolução!

mas nós podemos! Sim!
Temos tudo que precisamos
internet, pensamento, ação!
e nessas horas não precisamos de paz

-Estamos prontos!
-Rufem os tambores!

Shhhhhhhh...
Apenas ouça...
A procissão de cítaras está tomando a cidade

Agora veja...
toda a miséria virou passado
agora tudo são flores e sorrisos
Liberdade! Libertinagem!

Proclamemos o fim do Positivismo ridículo
Ordem? Progresso? Quae sera tamem
aqueles poucos que se acham muito,
utilizam um pobre povo pobre em suas mesquinharias.

O que o homem se entitula não é de valor algum,
título algum é capaz de retornar o homem do pó vermificado.

Tampouco suas palavras, pois do mesmo modo,
não tomam o caminho da volta.
Mas são poderosas e extremamente voláteis quando ditas por um alguém sem paz:
brincam, riem, satirizam, tiranizam, revolucionam.
(é que elas tem um poder secreto, o de mover mentes e gentes).

O que está feito está feito.
E o que foi dito também.
Dito e feito? Nem sempre,
estávamos apenas imaginando....

Shhhhhhhhhiva!
Shhhhhhhhhhit!
Precisamos de algo que nos tire desta crise de valores morais, dessa escassez de boa música, boas influências, bons pensadores e pensamentos. Tudo de que necessitamos para nos inspirar está no passado! Todos possuem uma frase preferida de Fernando Pessoa ou de Camões ou de Shakespeare, mas será que agem de acordo com suas frases próprias? Parecem tão incondizentes e inconsistentes. E quem é o grande ídolo deste século que já vai para o fim de seu primeiro decênio? Será quem vende mais best-sellers?
Voltarei aos meus pensamentos e memórias,
aos meus bons livros amarelados
e vou procurar nas páginas amarelas o telefone de um psicólogo.
já é quase dezembro, está chegando a hora de fazer resoluções de fim de ano...

(quanto a este texto, nao sei onde termina...nem como acabará. com certeza será acabado, pois um dia morrerei e depois disso, do mundo e de sua sociedade não saberei ou escreverei mais nada)

.[Cla Cavalin].

"Darma ou Dharma significa 'Lei Natural' ou 'Realidade'. Com respeito ao seu significado espiritual, pode ser considerado como o 'Caminho para a Verdade Superior'. O darma é a base das filosofias, crenças e práticas que se originaram na Índia. O darma também se refere aos ensinamentos e doutrinas de diversos fundadores de tradições, como Siddhartha Gautama no budismo e Mahavira no jainismo. Como doutrina moral sobre os direitos e deveres de cada um, o Dharma se refere geralmente ao exercício de uma tarefa espiritual, mas também significa ordem social, conduta reta ou, simplesmente, virtude. Para algumas seitas e alguns pensadores, o darma também pode ser interpretado como ações virtuosas feitas tanto em vidas passadas (encarnação anteriores), como na vida atual, e irá receber tudo de novo do universo também com boas ações, assim como o carma pode ser considerado uma consequência ruim que se teve, tem ou terá, sendo consequências de todas as ações ruins que se teve, também nessa ou em vidas passadas." (Wikipédia - provavelmente, meu ídolo deste século).

19 de jul. de 2008

Ao recém-chegado

Não peço que me entendas, apenas que compreenda.
Ao menos tente.
Exijo a compreensão conveniente à nossa convivência,
exijo a compreensão total à minha liberdade. Nossa.
Não te acanhes. Isto é mera formalidade.
Tenho um bom pressentimento, acho que podemos ser amigos.
Então, seja bem-vindo.

.[Cla Cavalin].

Exaustão

= um poema narrativo, uma prosopoesia =

Então, no meio desta sala vazia, algo ousa irromper a noite vazia deste dia [vazio, frio...
Então, todo esse silêncio rompe uma brecha no tempo.
Então, finalmente a mente se permite! e se esvazia: (estaria tão somente [tentando reorganizar-se?)
.
.
.
(reticências enfáticas)

É que a vida, para sentir-se vida, deve existir;
pois senão, é meramente tempo.
não que seja uma questão totalmente fora de mérito, mas...esvaziando-[se ; também de divagações acerca das pseudofilosofias superficiais do [[velho Sêneca,
encontra-se aí um grande paradoxo.

É que às vezes o tempo toma as rédeas da vida,
de modo que a vida transcorra tão veloz que não nos dê tempo
para nos darmos conta e tomar (conta?) das rédeas (da vida) (?) (,) (do [tempo) (?)

É que a vida é mesmo assim complicada, embora esta seja uma palavra [tão simples. (encontra-se aí um grande paradoxo) (?)
Avidasempreemboladanotempo.
Será possível viver o tempo?
Será possível ter tempo na vida?

É que se vida é vida e tempo é tempo,
como é que vidaviratempo e tempoviravida?
Nesse meio tempo, para onde vão os sonhos?
Será que têm meia-vida?

É que os quês não devem ser confundidos com por quês;
por mais que possam parecer justificativas,
é que aquele paradoxo só veio aumentar a confusão
que já havia se instaurado há algum tempo...ou vida, quem vai saber o que [é tempo e o que é vida?

Talvez seja pretensão, ou apenas coincidência,
confusão rimar com turbilhão.
de qualquer forma, em ambos misturam-se
a impotência, a dúvida, a mágoa, a intempestividade.

Então, frente a ti, aí está o corpo cansado que carrega a mente vazia (que [por sua vez esvaziou-se durante toda a noite vazia do dia vazio, frio...), [[bate à tua porta.
Que vais fazer? Que pensarás? Certamente os quês não trarão respostas, mas iniciarão os que-stionamentos.

Então, procuras o tom ameno.
Que as palavras mal ditas
podem ser mal ouvidas
e tornarem-se, então, palavras malditas.

.[Cla Cavalin].

d--b ouvindo minha prima maluca, altas horas da madrugada

Poema cíclico dos amantes eternos

//para o meu amor, todo o meu amor//

Se queres saber se ainda te amo como outrora, chega à tua janela
e verás que o sol ainda brilha lá fora (e também aqui dentro).
Ao andar pelas ruas, sentirás ainda a brisa que te toca suavemente a pele,
que ainda brinca deliciosamente em meio aos cabelos teus.

Quando estivermos em sintonia, perceberás, assim como eu,
que os sentidos se misturam à paisagem da hora.
Sentirás na brisa, no tocar do raio de sol, nos barulhos do ambiente,
estarei lá também a dar-lhe carícias, beijos e risos (como sempre).

Voltando à casa, banha-te do luar.
Nele estarei para trazer bons sonhos a ti.
E no dia seguinte, convidar-te-ei para outro passeio,
pois sigo te amando, bem como seguia, bem como (seguramente) seguirei.

.[Cla Cavalin].

d^^b Ella Fitzgerald ---

19 de mai. de 2008

SAMBINHA

.:SAMBINHA:.

"em todo o samba resiste, existe algo de triste, algo de feliz..."

Um dia ela chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar
Olhou-o dum jeito muito mais cansado do que sempre costumava olhar
E não cantou a vida tanto quanto era seu jeito de sempre falar
E nem deixou-o calar, pra seu grande espanto, calou-se.

Então ela quebrou o rumo da valsinha e resolveu sambar.
Tudo parecia bem e as rimas bem-casadas, é que algo deu a desandar.
Que não há como cantar o sempre nessa vida
A não ser pelo sempre de o amar.

E como nunca fora muito boa com os sonetos, deixou rodar;
Trinco na porta, saudade no peito, seu passinho elementar.
Depois os dois deram-se os braços como há muito tempo não se usava dar

E foi tanta felicidade que toda a cidade enfim se iluminou
O mundo compreendeu a vida, que é
O samba, sua vida triste e feliz, bem rimadas na nossa valsinha, na nossa vidinha...

E o dia amanheceu
Em paz...

.[Cla Cavalin].

d-.-b Alain Peters, Mart'nália, maloyas, sempás, creoles...

SAUDADE...

Sobre forma, essência e essencial

...de escrever no blog...
...de tocar guitarra até de madrugada...
...de certas pessoas especiais...
...e das poesias especiais que carregavam consigo...
...do meu amor...
...do cão e todos os bichinhos...
...de como a vida era...
...do medo que dava "amadurecer"...
...do riso gostoso da criança...
...e de seus olhos sagrados...
...do cheiro gostoso do violão novo...
...da alma branca...
...e suave...
...saudades do que foi e do que é...
...saudades de quem eu fui...
...e de quem eu serei;

porque esta casca do agora é quebradiça, já se estilhaçou e está por se estilhaçar, a cada instante, seguido de outro, e de outro, e de outro...

esta casca não me apraze; é nela que percebo as rachaduras e imperfeições, e frustro, e choro, e desespero, e calo, e dôo. Por hora.

próxima hora já será outra a se estilhaçar; afinal, não é como dizem? tudo na vida é passageiro...

mas a noz...a noz será sempre a mesma...

.[Cla Cavalin].

d-.-b Chico, Engenheiros

24 de mar. de 2008

Foi só o tempo que errou(?)

- Que tem demais 8, 18, 28?
- Tenho idade para ser seu pai!
- Mas não é!
-... Deixe de ser cabeça dura, você sabe que não é só isso!
- Então é também aquela conversa de que sou imatura, boba, de que não sei do "amor dos adultos"?
- Não, você não está me entendendo... É que não vejo aonde poderíamos ir algum dia...
- A gente pode ir ao cinema...
- (Desconcertado) Quem sabe daqui a alguns anos, as coisas mudam...
- (Ironica, como niguém melhor o sabe ser!) É acho que entendo o que você quis me dizer, mas existem tantas coisas...
- ! (Cara de pastel, como poucos conseguem mais o ser)
- Sabe, achava que não tínhamos problema nenhum, mas agora eu vejo um problema sim.. Você é adulto demais, procura cabelos demais nas cascas dos ovos e pior, acredita realmente tê-los achado!
- Não é...(Interrompido, ora, cale-se de uma vez!)
- Mas quem sabe daqui a alguns anos, as coisas mudam (as pessoas, nem tanto). E não quero esse amor contido e mesquinho de vossa sensatez bem-crescida. Nunca vi gente que se diz responsável e foge de "compromisso". Oh, sim, agora vejo...
- Adorei o seu texto.
- De nada, é seu. Afinal, foi você quem me provocou essas palavras impedidas. Quem sabe um dia, talvez daqui a alguns anos, esse diálogo finalmente aconteça...
- Duvido, daqui em diante é tudo prisão.
.[Cla Cavalin].

d- -b Legião Urbana (A cruz e a espada, vento no litoral, quando o sol bater na janela do teu quarto, monte castelo)

21 de fev. de 2008

Quase um Zzzumbi..

O quê? Ainda estamos na segunda semana de aula? Parece que já passou um mês! Cara...preciso meeeesmo dormir hahahah
vim postar umazinha que gosto muito, nao tenho escrito por "falta de tempo" (na verdade, tenho tempo, mas o cansaço tá maior que a poesia no momento XD)

GAVETA DOS GUARDADOS

A memória é a gaveta dos guardados. Nós somos o que somos, não o que virtualmente seriamos capazes de ser.
Minha bagagem são os meus sonhos. Fui o poeta das ruas, das vielas silenciosas do Rio, antes que se tornasse uma cidade assolada pela violência. Sempre fui ligado à terra, ao meu pátio.
No Rio Grande do Sul estou no colo da mãe. Creio que minha fase atual, neste momento, em 1993, reflete a eterna solidão do homem.
A obra só se completa e vive quando expressa. Nos meus quadros, o ontem se faz presente no agora. Lanço-me na pintura e na vida por inteiro, como um mergulhador na água. A arte é também história. E expressa a nossa humanidade. A arte é intemporal, embora guarde a fisionomia de cada época. Conheci em Paris um escultor brasileiro, bolsista, que não freqüentava museus para não perder a personalidade, esquecendo que só se perde o que se tem.
A memória é a gaveta dos guardados, repito para sublinhar. O clima dos meus quadros vem da solidão da campanha, do campo, onde fui guri e adolescente. Na velhice perde-se a nitidez da visão e se aguça a do espírito.
A memória pertence ao passado. É um registro. Sempre que a evocamos, se faz presente, mas permanece intocável, como um sonho. A percepção do real tem a concreteza, a realidade física, tangível. Mas como os instantes se sucedem feito os tique-taques do relógio, eles vão se transformando em passado, em memória, e isso é tão inaferrável como um instante nos confins do tempo.
Escrever pode ser, ou é, a necessidade de tocar a realidade que é a única segurança de nosso estar no mundo – o existir. É difícil, se não impossível, precisar quando as coisas começam dentro de nós.
A vida dói... Para mim o tempo de fazer perguntas passou. Penso numa grande tela que se abre, que me oferece intocada, virgem. A matéria também sonha. Procuro a alma das coisas. Nos meus quadros o ontem se faz presente no agora. A criação é um desdobramento continuo, em uníssono com a vida. O auto-retrato do pintor é pergunta que ele faz a si mesmo, e a resposta também é interrogação. A verdade da obra de arte é a expressão que ela nos transmite. Nada mais do que isso!


[Iberê Camargo]
d- -b Falco (um cantor nada brega da déc. 80 rs...)

28 de jan. de 2008

Mãos ao alto

"Que isso hem, vai ser gostosa assim lá na minha cama!" Um beijo e uma lambida foi seu modo de dizer "Foi mal aí, colega, tô vazando".
Lágrima única. Ela não saberia explicar...medo, angústia, desprezo.
Passageiros entravam e saíam do ônibus. Ela, estática. Muitas pessoas e prédios passavam na janela do ônibus. Ela, estática. Muitos sentimentos diferentes passavam dentro de si (talvez muitos demais). Ela, ainda assim, estática.
"Moça, ponto final". Palavras certas. Tomou a decisão e saiu de vez dali. Já não se importava com as horas, com a saia curta, com os becos escuros no caminho de casa. Casa...
Será que está bêbada, será que está bem? Para ela, e para todos, a vida continua. Sem lágrima. Sem bala. Sem piedade. (Nós escravos da vida, a vida escrava do tempo).
E se ele chegasse a matá-la? Nunca saberia o quão doce, o quão nobre era aquela menina e, mesmo assim, tão modesta...
Modéstia; talvez fosse isso que a tornasse tão desinteressante. "Por que nunca sei a hora certa de dizer 'eu te amo', ou mesmo 'eu me amo'? "
Já era o quinto episódio de violência. Não entendia como poderia ser "alvo" constante, uma presa tão fácil...
Como se você não soubesse, puxou-lhe, a mãe pela cintura. Olhe-se no espelho. Era seu próprio reflexo; ela se reconhecia.Você acha que todas as garotas que andam na rua são lolitas de olhos azuis?
Isso lhe pareceu óbvio. Logo, era um motivo.
Sim, mãe, acho que entendo. E agora, que fazer?
A mãe saiu do quarto. Deixou a porta aberta.
Deixou ambas porta e pergunta abertas.
.[Cla Cavalin].

*** A vida não é bela; é uma puta. Mas, apesar de tudo, não é que ela é bonitinha? Sorria, você estã sendo assaltada.
d- -b Gentle Giant d- -b

Ponto Final.

...Gota a gota, a gota final
Já faz mais de um ano
O nosso último carnaval
...

Um par de pálpebras

Em viver-me as próprias angústias,
Acabo caindo sempre nos teus laços.
Se aquele amor ainda vive e fraqueja,
para que ostentar tamanha indiferença?

Acreditando em tuas palavras breves,
Segura de que há ainda meios para amar.
Se aquele beijo permanece em suspenso,
Tanto faz, já não te posso ter aos braços.

Mas a distância entre minha palavra e teu silêncio
Cabe no intervalo destas lágrimas secas.
Se posso fechar os olhos para ver-te,
É que, apesar de tudo, ainda não te me separastes.

.[Cla Cavalin].

d- -b Los Hermanos "todo carnaval tem seu fim"

27 de jan. de 2008

Soneto do Desenredo

Dois amantes errantes
No mar desesperado
Certos de estarem fazendo
tudo errado.

Dois amantes
errantes
Sem precedentes
Afloram da boca pra fora
Glórias feridas e contentes.

Dois amantes errantes
À mérito de sua dor,
Resvalam aos sonhos de antes.

Apenas dois amantes errantes
Que o destino fez por bem separar
Que o tempo há de conciliar.

Em que distancia cabe a nossa saudade?

.[Cla Cavalin].

25 de jan. de 2008

Hoje é meu aniversário!




Hoje é meu aniversário... Que delícia!
"Outra noite Teodora
teve um sonho inteligente
em que alguém lhe dizia:
Minha amiga tenha em mente
que o espírito em liberdade
pensa muito diferente.

(...)O corpo tira do espírito
o poder de locomoção
ofusca-lhe o pensamento,
reduz a sua visão,
limita o seu horizonte
e a liberdade de ação.
Sua encarnação presente
veio lhe oferecer
a rara oportunidade
para você entender
o que já fez no passado
e o que deixou de fazer.

Os erros e os acertos
cometidos no passado
serão sempre muito úteis
para o seu aprendizado
seu caminho doravante
será sempre iluminado.

(...)Envolvia Teodora
silenciosa alegria,
sensação que idioma
algum do mundo teria
palavra que traduzisse
a emoção que sentia.

(...)A nossa vida é composta
de epopéias seguidas
cada uma é um capítulo
duma sucessão de vidas
nas nossas idas e vindas,
nas nossas vindas e idas."
.[Gonçalo Ferreira da Silva, in Teodora e o Império Bizantino].
visite a Academia Brasileira de Cordel>>>www.ablc.com.br
***Hoje, mais do que nunca, estou me sentindo tão cheia de paz; muito obrigada a todos vocês, são tudo que eu preciso na vida pra ser feliz *** These are the days of our lives...
d^^b Queen d^^b

Nada (im)pessoal

É sempre bom lembrar que um co(r)po vazio está cheio de ar...
- Minha filha, por que você faz assado e não assim?
- Cla, por que tudo seu é diferente?
- Cavalin, tá parecendo uma cult!
Acho engraçado esse tipo de conversa no meu dia-a-dia; fico pensando como posso ser tão diferente assim..
Todo ser humano é triblástico, celomado,deuterostomado, 2 ouvidos e uma boca, eu, você e o resto da torcida do Fla. Pode haver coisa mais padronizada que isso?
Se o argumento de defesa é que não sigo a tal "padronização cultural", há que se levar em conta que, na verdade, o indivíduo é uma instituição falida. Mesmo que façamos parte de um conjunto social, somos mísero grão de areia. O que eu posso significar para o mundo? Eu não sou nada. Ninguém não é e nunca foi nada.
Não existem indivíduos. Existem individualidades - cor de cabelo, digitais, (ir)racionalidade; e existem individualismos. Mais que isso, coexistem. Mas isso não define uma sociedade. Acredito que esta seja limitada por uma série de convenções, algumas permanentes, outras compõem as diferentes "gerações".
Chega, para terminar essa conversa, só mesmo num buteco. Alguém interessado?
.[Cla Cavalin].

"I am what I am. So what?" .[Freddie Mercury].