.:SAMBINHA:.
"em todo o samba resiste, existe algo de triste, algo de feliz..."
Um dia ela chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar
Olhou-o dum jeito muito mais cansado do que sempre costumava olhar
E não cantou a vida tanto quanto era seu jeito de sempre falar
E nem deixou-o calar, pra seu grande espanto, calou-se.
Então ela quebrou o rumo da valsinha e resolveu sambar.
Tudo parecia bem e as rimas bem-casadas, é que algo deu a desandar.
Que não há como cantar o sempre nessa vida
A não ser pelo sempre de o amar.
E como nunca fora muito boa com os sonetos, deixou rodar;
Trinco na porta, saudade no peito, seu passinho elementar.
Depois os dois deram-se os braços como há muito tempo não se usava dar
E foi tanta felicidade que toda a cidade enfim se iluminou
O mundo compreendeu a vida, que é
O samba, sua vida triste e feliz, bem rimadas na nossa valsinha, na nossa vidinha...
E o dia amanheceu
Em paz...
.[Cla Cavalin].
d-.-b Alain Peters, Mart'nália, maloyas, sempás, creoles...
19 de mai. de 2008
SAUDADE...
Sobre forma, essência e essencial
...de escrever no blog...
...de tocar guitarra até de madrugada...
...de certas pessoas especiais...
...e das poesias especiais que carregavam consigo...
...do meu amor...
...do cão e todos os bichinhos...
...de como a vida era...
...do medo que dava "amadurecer"...
...do riso gostoso da criança...
...e de seus olhos sagrados...
...do cheiro gostoso do violão novo...
...da alma branca...
...e suave...
...saudades do que foi e do que é...
...saudades de quem eu fui...
...e de quem eu serei;
porque esta casca do agora é quebradiça, já se estilhaçou e está por se estilhaçar, a cada instante, seguido de outro, e de outro, e de outro...
esta casca não me apraze; é nela que percebo as rachaduras e imperfeições, e frustro, e choro, e desespero, e calo, e dôo. Por hora.
próxima hora já será outra a se estilhaçar; afinal, não é como dizem? tudo na vida é passageiro...
mas a noz...a noz será sempre a mesma...
.[Cla Cavalin].
d-.-b Chico, Engenheiros
...de escrever no blog...
...de tocar guitarra até de madrugada...
...de certas pessoas especiais...
...e das poesias especiais que carregavam consigo...
...do meu amor...
...do cão e todos os bichinhos...
...de como a vida era...
...do medo que dava "amadurecer"...
...do riso gostoso da criança...
...e de seus olhos sagrados...
...do cheiro gostoso do violão novo...
...da alma branca...
...e suave...
...saudades do que foi e do que é...
...saudades de quem eu fui...
...e de quem eu serei;
porque esta casca do agora é quebradiça, já se estilhaçou e está por se estilhaçar, a cada instante, seguido de outro, e de outro, e de outro...
esta casca não me apraze; é nela que percebo as rachaduras e imperfeições, e frustro, e choro, e desespero, e calo, e dôo. Por hora.
próxima hora já será outra a se estilhaçar; afinal, não é como dizem? tudo na vida é passageiro...
mas a noz...a noz será sempre a mesma...
.[Cla Cavalin].
d-.-b Chico, Engenheiros
24 de mar. de 2008
Foi só o tempo que errou(?)
- Que tem demais 8, 18, 28?
- Tenho idade para ser seu pai!
- Mas não é!
-... Deixe de ser cabeça dura, você sabe que não é só isso!
- Então é também aquela conversa de que sou imatura, boba, de que não sei do "amor dos adultos"?
- Não, você não está me entendendo... É que não vejo aonde poderíamos ir algum dia...
- A gente pode ir ao cinema...
- (Desconcertado) Quem sabe daqui a alguns anos, as coisas mudam...
- (Ironica, como niguém melhor o sabe ser!) É acho que entendo o que você quis me dizer, mas existem tantas coisas...
- ! (Cara de pastel, como poucos conseguem mais o ser)
- Sabe, achava que não tínhamos problema nenhum, mas agora eu vejo um problema sim.. Você é adulto demais, procura cabelos demais nas cascas dos ovos e pior, acredita realmente tê-los achado!
- Não é...(Interrompido, ora, cale-se de uma vez!)
- Mas quem sabe daqui a alguns anos, as coisas mudam (as pessoas, nem tanto). E não quero esse amor contido e mesquinho de vossa sensatez bem-crescida. Nunca vi gente que se diz responsável e foge de "compromisso". Oh, sim, agora vejo...
- Adorei o seu texto.
- De nada, é seu. Afinal, foi você quem me provocou essas palavras impedidas. Quem sabe um dia, talvez daqui a alguns anos, esse diálogo finalmente aconteça...
- Duvido, daqui em diante é tudo prisão.
.[Cla Cavalin].
d- -b Legião Urbana (A cruz e a espada, vento no litoral, quando o sol bater na janela do teu quarto, monte castelo)
- Tenho idade para ser seu pai!
- Mas não é!
-... Deixe de ser cabeça dura, você sabe que não é só isso!
- Então é também aquela conversa de que sou imatura, boba, de que não sei do "amor dos adultos"?
- Não, você não está me entendendo... É que não vejo aonde poderíamos ir algum dia...
- A gente pode ir ao cinema...
- (Desconcertado) Quem sabe daqui a alguns anos, as coisas mudam...
- (Ironica, como niguém melhor o sabe ser!) É acho que entendo o que você quis me dizer, mas existem tantas coisas...
- ! (Cara de pastel, como poucos conseguem mais o ser)
- Sabe, achava que não tínhamos problema nenhum, mas agora eu vejo um problema sim.. Você é adulto demais, procura cabelos demais nas cascas dos ovos e pior, acredita realmente tê-los achado!
- Não é...(Interrompido, ora, cale-se de uma vez!)
- Mas quem sabe daqui a alguns anos, as coisas mudam (as pessoas, nem tanto). E não quero esse amor contido e mesquinho de vossa sensatez bem-crescida. Nunca vi gente que se diz responsável e foge de "compromisso". Oh, sim, agora vejo...
- Adorei o seu texto.
- De nada, é seu. Afinal, foi você quem me provocou essas palavras impedidas. Quem sabe um dia, talvez daqui a alguns anos, esse diálogo finalmente aconteça...
- Duvido, daqui em diante é tudo prisão.
.[Cla Cavalin].
d- -b Legião Urbana (A cruz e a espada, vento no litoral, quando o sol bater na janela do teu quarto, monte castelo)
21 de fev. de 2008
Quase um Zzzumbi..
O quê? Ainda estamos na segunda semana de aula? Parece que já passou um mês! Cara...preciso meeeesmo dormir hahahah
vim postar umazinha que gosto muito, nao tenho escrito por "falta de tempo" (na verdade, tenho tempo, mas o cansaço tá maior que a poesia no momento XD)
GAVETA DOS GUARDADOS
A memória é a gaveta dos guardados. Nós somos o que somos, não o que virtualmente seriamos capazes de ser.
Minha bagagem são os meus sonhos. Fui o poeta das ruas, das vielas silenciosas do Rio, antes que se tornasse uma cidade assolada pela violência. Sempre fui ligado à terra, ao meu pátio.
No Rio Grande do Sul estou no colo da mãe. Creio que minha fase atual, neste momento, em 1993, reflete a eterna solidão do homem.
A obra só se completa e vive quando expressa. Nos meus quadros, o ontem se faz presente no agora. Lanço-me na pintura e na vida por inteiro, como um mergulhador na água. A arte é também história. E expressa a nossa humanidade. A arte é intemporal, embora guarde a fisionomia de cada época. Conheci em Paris um escultor brasileiro, bolsista, que não freqüentava museus para não perder a personalidade, esquecendo que só se perde o que se tem.
A memória é a gaveta dos guardados, repito para sublinhar. O clima dos meus quadros vem da solidão da campanha, do campo, onde fui guri e adolescente. Na velhice perde-se a nitidez da visão e se aguça a do espírito.
A memória pertence ao passado. É um registro. Sempre que a evocamos, se faz presente, mas permanece intocável, como um sonho. A percepção do real tem a concreteza, a realidade física, tangível. Mas como os instantes se sucedem feito os tique-taques do relógio, eles vão se transformando em passado, em memória, e isso é tão inaferrável como um instante nos confins do tempo.
Escrever pode ser, ou é, a necessidade de tocar a realidade que é a única segurança de nosso estar no mundo – o existir. É difícil, se não impossível, precisar quando as coisas começam dentro de nós.
A vida dói... Para mim o tempo de fazer perguntas passou. Penso numa grande tela que se abre, que me oferece intocada, virgem. A matéria também sonha. Procuro a alma das coisas. Nos meus quadros o ontem se faz presente no agora. A criação é um desdobramento continuo, em uníssono com a vida. O auto-retrato do pintor é pergunta que ele faz a si mesmo, e a resposta também é interrogação. A verdade da obra de arte é a expressão que ela nos transmite. Nada mais do que isso!
[Iberê Camargo]
d- -b Falco (um cantor nada brega da déc. 80 rs...)
vim postar umazinha que gosto muito, nao tenho escrito por "falta de tempo" (na verdade, tenho tempo, mas o cansaço tá maior que a poesia no momento XD)
GAVETA DOS GUARDADOS
A memória é a gaveta dos guardados. Nós somos o que somos, não o que virtualmente seriamos capazes de ser.
Minha bagagem são os meus sonhos. Fui o poeta das ruas, das vielas silenciosas do Rio, antes que se tornasse uma cidade assolada pela violência. Sempre fui ligado à terra, ao meu pátio.
No Rio Grande do Sul estou no colo da mãe. Creio que minha fase atual, neste momento, em 1993, reflete a eterna solidão do homem.
A obra só se completa e vive quando expressa. Nos meus quadros, o ontem se faz presente no agora. Lanço-me na pintura e na vida por inteiro, como um mergulhador na água. A arte é também história. E expressa a nossa humanidade. A arte é intemporal, embora guarde a fisionomia de cada época. Conheci em Paris um escultor brasileiro, bolsista, que não freqüentava museus para não perder a personalidade, esquecendo que só se perde o que se tem.
A memória é a gaveta dos guardados, repito para sublinhar. O clima dos meus quadros vem da solidão da campanha, do campo, onde fui guri e adolescente. Na velhice perde-se a nitidez da visão e se aguça a do espírito.
A memória pertence ao passado. É um registro. Sempre que a evocamos, se faz presente, mas permanece intocável, como um sonho. A percepção do real tem a concreteza, a realidade física, tangível. Mas como os instantes se sucedem feito os tique-taques do relógio, eles vão se transformando em passado, em memória, e isso é tão inaferrável como um instante nos confins do tempo.
Escrever pode ser, ou é, a necessidade de tocar a realidade que é a única segurança de nosso estar no mundo – o existir. É difícil, se não impossível, precisar quando as coisas começam dentro de nós.
A vida dói... Para mim o tempo de fazer perguntas passou. Penso numa grande tela que se abre, que me oferece intocada, virgem. A matéria também sonha. Procuro a alma das coisas. Nos meus quadros o ontem se faz presente no agora. A criação é um desdobramento continuo, em uníssono com a vida. O auto-retrato do pintor é pergunta que ele faz a si mesmo, e a resposta também é interrogação. A verdade da obra de arte é a expressão que ela nos transmite. Nada mais do que isso!
[Iberê Camargo]
d- -b Falco (um cantor nada brega da déc. 80 rs...)
28 de jan. de 2008
Mãos ao alto
"Que isso hem, vai ser gostosa assim lá na minha cama!" Um beijo e uma lambida foi seu modo de dizer "Foi mal aí, colega, tô vazando".
Lágrima única. Ela não saberia explicar...medo, angústia, desprezo.
Passageiros entravam e saíam do ônibus. Ela, estática. Muitas pessoas e prédios passavam na janela do ônibus. Ela, estática. Muitos sentimentos diferentes passavam dentro de si (talvez muitos demais). Ela, ainda assim, estática.
"Moça, ponto final". Palavras certas. Tomou a decisão e saiu de vez dali. Já não se importava com as horas, com a saia curta, com os becos escuros no caminho de casa. Casa...
Será que está bêbada, será que está bem? Para ela, e para todos, a vida continua. Sem lágrima. Sem bala. Sem piedade. (Nós escravos da vida, a vida escrava do tempo).
E se ele chegasse a matá-la? Nunca saberia o quão doce, o quão nobre era aquela menina e, mesmo assim, tão modesta...
Modéstia; talvez fosse isso que a tornasse tão desinteressante. "Por que nunca sei a hora certa de dizer 'eu te amo', ou mesmo 'eu me amo'? "
Já era o quinto episódio de violência. Não entendia como poderia ser "alvo" constante, uma presa tão fácil...
Como se você não soubesse, puxou-lhe, a mãe pela cintura. Olhe-se no espelho. Era seu próprio reflexo; ela se reconhecia.Você acha que todas as garotas que andam na rua são lolitas de olhos azuis?
Isso lhe pareceu óbvio. Logo, era um motivo.
Sim, mãe, acho que entendo. E agora, que fazer?
A mãe saiu do quarto. Deixou a porta aberta.
Deixou ambas porta e pergunta abertas.
.[Cla Cavalin].
*** A vida não é bela; é uma puta. Mas, apesar de tudo, não é que ela é bonitinha? Sorria, você estã sendo assaltada.
d- -b Gentle Giant d- -b
Lágrima única. Ela não saberia explicar...medo, angústia, desprezo.
Passageiros entravam e saíam do ônibus. Ela, estática. Muitas pessoas e prédios passavam na janela do ônibus. Ela, estática. Muitos sentimentos diferentes passavam dentro de si (talvez muitos demais). Ela, ainda assim, estática.
"Moça, ponto final". Palavras certas. Tomou a decisão e saiu de vez dali. Já não se importava com as horas, com a saia curta, com os becos escuros no caminho de casa. Casa...
Será que está bêbada, será que está bem? Para ela, e para todos, a vida continua. Sem lágrima. Sem bala. Sem piedade. (Nós escravos da vida, a vida escrava do tempo).
E se ele chegasse a matá-la? Nunca saberia o quão doce, o quão nobre era aquela menina e, mesmo assim, tão modesta...
Modéstia; talvez fosse isso que a tornasse tão desinteressante. "Por que nunca sei a hora certa de dizer 'eu te amo', ou mesmo 'eu me amo'? "
Já era o quinto episódio de violência. Não entendia como poderia ser "alvo" constante, uma presa tão fácil...
Como se você não soubesse, puxou-lhe, a mãe pela cintura. Olhe-se no espelho. Era seu próprio reflexo; ela se reconhecia.Você acha que todas as garotas que andam na rua são lolitas de olhos azuis?
Isso lhe pareceu óbvio. Logo, era um motivo.
Sim, mãe, acho que entendo. E agora, que fazer?
A mãe saiu do quarto. Deixou a porta aberta.
Deixou ambas porta e pergunta abertas.
.[Cla Cavalin].
*** A vida não é bela; é uma puta. Mas, apesar de tudo, não é que ela é bonitinha? Sorria, você estã sendo assaltada.
d- -b Gentle Giant d- -b
Ponto Final.
...Gota a gota, a gota final
Já faz mais de um ano
O nosso último carnaval...
Um par de pálpebras
Em viver-me as próprias angústias,
Acabo caindo sempre nos teus laços.
Se aquele amor ainda vive e fraqueja,
para que ostentar tamanha indiferença?
Acreditando em tuas palavras breves,
Segura de que há ainda meios para amar.
Se aquele beijo permanece em suspenso,
Tanto faz, já não te posso ter aos braços.
Mas a distância entre minha palavra e teu silêncio
Cabe no intervalo destas lágrimas secas.
Se posso fechar os olhos para ver-te,
É que, apesar de tudo, ainda não te me separastes.
.[Cla Cavalin].
d- -b Los Hermanos "todo carnaval tem seu fim"
Já faz mais de um ano
O nosso último carnaval...
Um par de pálpebras
Em viver-me as próprias angústias,
Acabo caindo sempre nos teus laços.
Se aquele amor ainda vive e fraqueja,
para que ostentar tamanha indiferença?
Acreditando em tuas palavras breves,
Segura de que há ainda meios para amar.
Se aquele beijo permanece em suspenso,
Tanto faz, já não te posso ter aos braços.
Mas a distância entre minha palavra e teu silêncio
Cabe no intervalo destas lágrimas secas.
Se posso fechar os olhos para ver-te,
É que, apesar de tudo, ainda não te me separastes.
.[Cla Cavalin].
d- -b Los Hermanos "todo carnaval tem seu fim"
27 de jan. de 2008
Soneto do Desenredo
Dois amantes errantes
No mar desesperado
Certos de estarem fazendo
tudo errado.
Dois amantes errantes
Sem precedentes
Afloram da boca pra fora
Glórias feridas e contentes.
Dois amantes errantes
À mérito de sua dor,
Resvalam aos sonhos de antes.
Apenas dois amantes errantes
Que o destino fez por bem separar
Que o tempo há de conciliar.
Em que distancia cabe a nossa saudade?
.[Cla Cavalin].
No mar desesperado
Certos de estarem fazendo
tudo errado.
Dois amantes errantes
Sem precedentes
Afloram da boca pra fora
Glórias feridas e contentes.
Dois amantes errantes
À mérito de sua dor,
Resvalam aos sonhos de antes.
Apenas dois amantes errantes
Que o destino fez por bem separar
Que o tempo há de conciliar.
Em que distancia cabe a nossa saudade?
.[Cla Cavalin].
25 de jan. de 2008
Hoje é meu aniversário!
Hoje é meu aniversário... Que delícia!
"Outra noite Teodora
teve um sonho inteligente
em que alguém lhe dizia:
Minha amiga tenha em mente
que o espírito em liberdade
que o espírito em liberdade
pensa muito diferente.
(...)O corpo tira do espírito
o poder de locomoção
ofusca-lhe o pensamento,
reduz a sua visão,
limita o seu horizonte
limita o seu horizonte
e a liberdade de ação.
Sua encarnação presente
veio lhe oferecer
a rara oportunidade
para você entender
o que já fez no passado
e o que deixou de fazer.
Os erros e os acertos
cometidos no passado
serão sempre muito úteis
para o seu aprendizado
seu caminho doravante
será sempre iluminado.
(...)Envolvia Teodora
silenciosa alegria,
sensação que idioma
algum do mundo teria
palavra que traduzisse
a emoção que sentia.
(...)A nossa vida é composta
de epopéias seguidas
cada uma é um capítulo
duma sucessão de vidas
nas nossas idas e vindas,
nas nossas vindas e idas."
.[Gonçalo Ferreira da Silva, in Teodora e o Império Bizantino].
visite a Academia Brasileira de Cordel>>>www.ablc.com.br
***Hoje, mais do que nunca, estou me sentindo tão cheia de paz; muito obrigada a todos vocês, são tudo que eu preciso na vida pra ser feliz *** These are the days of our lives...
d^^b Queen d^^b
Nada (im)pessoal
É sempre bom lembrar que um co(r)po vazio está cheio de ar...
- Minha filha, por que você faz assado e não assim?
- Cla, por que tudo seu é diferente?
- Cavalin, tá parecendo uma cult!
Acho engraçado esse tipo de conversa no meu dia-a-dia; fico pensando como posso ser tão diferente assim..
Todo ser humano é triblástico, celomado,deuterostomado, 2 ouvidos e uma boca, eu, você e o resto da torcida do Fla. Pode haver coisa mais padronizada que isso?
Se o argumento de defesa é que não sigo a tal "padronização cultural", há que se levar em conta que, na verdade, o indivíduo é uma instituição falida. Mesmo que façamos parte de um conjunto social, somos mísero grão de areia. O que eu posso significar para o mundo? Eu não sou nada. Ninguém não é e nunca foi nada.
Não existem indivíduos. Existem individualidades - cor de cabelo, digitais, (ir)racionalidade; e existem individualismos. Mais que isso, coexistem. Mas isso não define uma sociedade. Acredito que esta seja limitada por uma série de convenções, algumas permanentes, outras compõem as diferentes "gerações".
Chega, para terminar essa conversa, só mesmo num buteco. Alguém interessado?
.[Cla Cavalin].
"I am what I am. So what?" .[Freddie Mercury].
- Minha filha, por que você faz assado e não assim?
- Cla, por que tudo seu é diferente?
- Cavalin, tá parecendo uma cult!
Acho engraçado esse tipo de conversa no meu dia-a-dia; fico pensando como posso ser tão diferente assim..
Todo ser humano é triblástico, celomado,deuterostomado, 2 ouvidos e uma boca, eu, você e o resto da torcida do Fla. Pode haver coisa mais padronizada que isso?
Se o argumento de defesa é que não sigo a tal "padronização cultural", há que se levar em conta que, na verdade, o indivíduo é uma instituição falida. Mesmo que façamos parte de um conjunto social, somos mísero grão de areia. O que eu posso significar para o mundo? Eu não sou nada. Ninguém não é e nunca foi nada.
Não existem indivíduos. Existem individualidades - cor de cabelo, digitais, (ir)racionalidade; e existem individualismos. Mais que isso, coexistem. Mas isso não define uma sociedade. Acredito que esta seja limitada por uma série de convenções, algumas permanentes, outras compõem as diferentes "gerações".
Chega, para terminar essa conversa, só mesmo num buteco. Alguém interessado?
.[Cla Cavalin].
"I am what I am. So what?" .[Freddie Mercury].
Andança
5 km a pé rendem muitas idéias.
Assim como tem dias em que preciiiiiso escrever, tem dias nos quais preciiiiiso andar; me livrar de algumas preocupações, angústias,comprar uma bobagenzinha no camelô, tomar água de côco.
Curioso é que o andar me estimula o pensar e, dessas idas e vindas, sempre acabo escrevendo em alguma livraria.
Fluxo de sangue, fluxo de pensamento;
Automatismo mecânico, automatismo psíquico
Levem-me para aonde for.
Hoje não tenho hora, hoje sou só pro meu amor.
Por onde for, quero ser seu par...
Ainda estou na idade de deixar acontecer...
E o que é o envelhecer senão um longo anoitecer?
E o que é o renascer senão mais um amanhecer?
Então, deixa o mundo rolar solto,
tenho meu próprio tempo, deixa o tempo a seu tempo.
Exercitar o corpo está intimamente ligado a exercitar a mente. Afinal, ambos convivem numa mesma estrutura.
Do mesmo modo, exercitar a medicina está intimamente ligado a exercitar as letras. Afinal, ambos convivem na mesma minha estrutura.
Basta naturalidade. Basta não temer ao descobrir-se, dia após dia, cada dia um pouco mais. Aliás, não há por que temer quando há a coragem para reinventar-se.
No entanto, se não há nem isso, não há nada. Nonada é um grande sertão. (densamente habitado).
.[Cla Cavalin].
d- -b Elis
Assim como tem dias em que preciiiiiso escrever, tem dias nos quais preciiiiiso andar; me livrar de algumas preocupações, angústias,comprar uma bobagenzinha no camelô, tomar água de côco.
Curioso é que o andar me estimula o pensar e, dessas idas e vindas, sempre acabo escrevendo em alguma livraria.
Fluxo de sangue, fluxo de pensamento;
Automatismo mecânico, automatismo psíquico
Levem-me para aonde for.
Hoje não tenho hora, hoje sou só pro meu amor.
Por onde for, quero ser seu par...
Ainda estou na idade de deixar acontecer...
E o que é o envelhecer senão um longo anoitecer?
E o que é o renascer senão mais um amanhecer?
Então, deixa o mundo rolar solto,
tenho meu próprio tempo, deixa o tempo a seu tempo.
Exercitar o corpo está intimamente ligado a exercitar a mente. Afinal, ambos convivem numa mesma estrutura.
Do mesmo modo, exercitar a medicina está intimamente ligado a exercitar as letras. Afinal, ambos convivem na mesma minha estrutura.
Basta naturalidade. Basta não temer ao descobrir-se, dia após dia, cada dia um pouco mais. Aliás, não há por que temer quando há a coragem para reinventar-se.
No entanto, se não há nem isso, não há nada. Nonada é um grande sertão. (densamente habitado).
.[Cla Cavalin].
d- -b Elis
Indignação
IN
DI
GN
AÇ
ÃO
Aquela rua, olha! Mais uma!
Os prédios estão invadindo a minha cidade!
Em cada esquina, em cada praça
Erguem seus esqueletos inorgânicos
de aço e ferrugem.
A mangueira, arrancaram a mangueira
a mangueira do nosso amor...
Saudade triste derramada
sobre esse concreto indiscreto.
(e espaçoso!)
.[Cla Cavalin].
DI
GN
AÇ
ÃO
Aquela rua, olha! Mais uma!
Os prédios estão invadindo a minha cidade!
Em cada esquina, em cada praça
Erguem seus esqueletos inorgânicos
de aço e ferrugem.
A mangueira, arrancaram a mangueira
a mangueira do nosso amor...
Saudade triste derramada
sobre esse concreto indiscreto.
(e espaçoso!)
.[Cla Cavalin].
Prazer, Cla Miranda
Fui à Santa Teresa. Disseram que voltei europeizada. Croché, sandalia de pano, colar de miçanga. Será que é gringa? Comprei o jornal e sentei na escada da Carioca. Ih-a-lá, a gringa tá lendo o Globo! O muleque, coitado, tentou me assaltar... só carrego papai e um chiclete velho no bolso e mamãe no coração. (Quem será o próximo a me roubar o coração?) Se ser gringo significa dar valor à cultura brasileira, mais do que à estadunidense, diga-se de passagem, sou gringa convicta.
Por outro lado, embora seja compreensível, é no mínimo inaceitável que a maioria dos brasileiros sequer conheça os cantinhos de suas origens; porque o que somos hoje é também o país que deixamos pra trás, deixamos de lado, deixamos de fora (exceto na época do carnaval, da copa, mas essa já é outra conversa...)
Não somos obrigados a gostar do país, mas temos sim a obrigação de conhecê-lo. Não com o culto ufanista-neo-nazista; mas o ceticismo crítico dessa bruzundanga. Brasileira-gringa de crochê e jornal debaixo do braço. Ordem e Progresso, Anauê! Fora, Lula!
.[Cla Cavalin].
Por outro lado, embora seja compreensível, é no mínimo inaceitável que a maioria dos brasileiros sequer conheça os cantinhos de suas origens; porque o que somos hoje é também o país que deixamos pra trás, deixamos de lado, deixamos de fora (exceto na época do carnaval, da copa, mas essa já é outra conversa...)
Não somos obrigados a gostar do país, mas temos sim a obrigação de conhecê-lo. Não com o culto ufanista-neo-nazista; mas o ceticismo crítico dessa bruzundanga. Brasileira-gringa de crochê e jornal debaixo do braço. Ordem e Progresso, Anauê! Fora, Lula!
.[Cla Cavalin].
18 de jan. de 2008
Consolo na praia
"Vamos, não chores.
A infância está perdida.
A mocidade está perdida.
Mas a vida não se perdeu.
O primeiro amor passou.
O segundo amor passou.
O terceiro amor passou.
Mas o coração continua.
Perdeste o melhor amigo.
Não tentaste qualquer viagem.
Não possuis carro, navio, terra.
Mas tens um cão.
Algumas palavras duras,em voz mansa, te golpearam.
Nunca, nunca cicatrizam.
Mas, e o humour?
A injustiça não se resolve.
À sombra do mundo errado murmuraste um protesto tímido.
Mas virão outros.
Tudo somado, devias precipitar-te, de vez, nas águas.
Estás nu na areia, no vento...Dorme, meu filho."
.[Drummond].
http://www.memoriaviva.com.br/drummond/index2.htm
A infância está perdida.
A mocidade está perdida.
Mas a vida não se perdeu.
O primeiro amor passou.
O segundo amor passou.
O terceiro amor passou.
Mas o coração continua.
Perdeste o melhor amigo.
Não tentaste qualquer viagem.
Não possuis carro, navio, terra.
Mas tens um cão.
Algumas palavras duras,em voz mansa, te golpearam.
Nunca, nunca cicatrizam.
Mas, e o humour?
A injustiça não se resolve.
À sombra do mundo errado murmuraste um protesto tímido.
Mas virão outros.
Tudo somado, devias precipitar-te, de vez, nas águas.
Estás nu na areia, no vento...Dorme, meu filho."
.[Drummond].
http://www.memoriaviva.com.br/drummond/index2.htm
A novidade
Com licença poética, sim, o texto de hoje é um diariozinho, umazinha reflexãozinha só(zinha)...
O portão de embarque fechou. Mãe, e agora? Vamos pra casa, ué. Toda a naturalidade, o velho estacionamento do Galeão, a mesma Linha Amarela de sempre, o céu de sempre, só um pouco desbotado.
Em casa, passei a chave, fechei a porta, abri o blog... agora volta tudo ao normal...queria que o normal fosse diferente..ops, resolução de fim-de-ano: não usar futuro do pretérito...quero que o normal seja diferente, então o faço.
Pego o copo sólido, exato, ambas as mãos...sinto que o tenho em domínio completo, e que seu futuro é mera consequência de minhas vontades. Estilhaçá-lo, Preencher seu conteúdo oco com alguma substância até que comple, complet, complete a asfixia, transbordarrr.
Sinto minha vida exata dentro do copo exato; e o copo exato, guiado pelas mãos de alguém inexato e, por isso, o resultado final é minha vida inexata.
Aonde esse alguém quer chegar? Leva-me onde quero chegar, por favor? (Aonde quero chegar?)
Quem será?
Alguns o chamam destino, outros o chamam Deus; mas, por enquanto, pelo menos por enquanto, prefiro acreditar que sou eu quem detém as mãos fechadas, e levo o copo ao peito, à boca, mato a sede. Tenho uma vida em branco, e um copo em cima da mesa; e essas pernas, que o chamam acaso, que fazem a vida inexata ser perceptível e praticável.
Enfim, sinto saudades, alegria e o chão sob meus pés.
[Cla Cavalin]
d- -b Amos Lee "Colors"
O portão de embarque fechou. Mãe, e agora? Vamos pra casa, ué. Toda a naturalidade, o velho estacionamento do Galeão, a mesma Linha Amarela de sempre, o céu de sempre, só um pouco desbotado.
Em casa, passei a chave, fechei a porta, abri o blog... agora volta tudo ao normal...queria que o normal fosse diferente..ops, resolução de fim-de-ano: não usar futuro do pretérito...quero que o normal seja diferente, então o faço.
Pego o copo sólido, exato, ambas as mãos...sinto que o tenho em domínio completo, e que seu futuro é mera consequência de minhas vontades. Estilhaçá-lo, Preencher seu conteúdo oco com alguma substância até que comple, complet, complete a asfixia, transbordarrr.
Sinto minha vida exata dentro do copo exato; e o copo exato, guiado pelas mãos de alguém inexato e, por isso, o resultado final é minha vida inexata.
Aonde esse alguém quer chegar? Leva-me onde quero chegar, por favor? (Aonde quero chegar?)
Quem será?
Alguns o chamam destino, outros o chamam Deus; mas, por enquanto, pelo menos por enquanto, prefiro acreditar que sou eu quem detém as mãos fechadas, e levo o copo ao peito, à boca, mato a sede. Tenho uma vida em branco, e um copo em cima da mesa; e essas pernas, que o chamam acaso, que fazem a vida inexata ser perceptível e praticável.
Enfim, sinto saudades, alegria e o chão sob meus pés.
[Cla Cavalin]
d- -b Amos Lee "Colors"
6 de jan. de 2008
E agora, Lula josé?
Estou puta. Muito puta. Estou política.
Para uns, estou chata. Para outros, estou revirando túmulos, redespertando passados alheios, desconfigurando um sistema...
Estou, acima de tudo, sentada em uma cadeira frente ao computador, sentada frente ao mundo; embora sentada, fervilho por dentro...
Até quando?
Temos muitos direitos a exigir; Não temos o direito de permanecermos sentados. Não temos o direito de achar natural um governo se utilizar do povo em benefício próprio. Não temos direito a nada se não há respeito.
Vossa excelência, só mais um silva que a estrela não brilha.
Até quando?
.
.
.
www.olhofixo.blogspot.com
Para uns, estou chata. Para outros, estou revirando túmulos, redespertando passados alheios, desconfigurando um sistema...
Estou, acima de tudo, sentada em uma cadeira frente ao computador, sentada frente ao mundo; embora sentada, fervilho por dentro...
Até quando?
Temos muitos direitos a exigir; Não temos o direito de permanecermos sentados. Não temos o direito de achar natural um governo se utilizar do povo em benefício próprio. Não temos direito a nada se não há respeito.
Vossa excelência, só mais um silva que a estrela não brilha.
Até quando?
.
.
.
www.olhofixo.blogspot.com
31 de dez. de 2007
Auto-mar
Que o frio não passa
Barco algum atraca
Porto algum, tamanha solidão.
Chore não,
Nada mais é pra já.
No relento, a alma,
As horas sem perdão
Riem-se largas, leste a oeste.
Impenetráveis, insensíveis
Crueza, cada vez mais, só
Só o que salva é mesmo afundar.
Desespere não,
Há também luz no fundo;
Basta saber enxergar.
.[Cla Cavalin].
Acredito que, muitas vezes, ninguém é mais responsável do que nós mesmos no processo de criar "traumas" ou certos "contextos" que nos agridam; como quando, por exemplo, fazemos uma auto-critica negativista demais, alimentamos "sonhos" improváveis, impossíveis, especialmente se relacionado a algum senso-comum...
Esse poema, nessa mesma linha de raciocinio, o escrevi num dia triste, de solidão, e o terminei, do mesmo modo, bem pessimista.
No entanto, hoje resolvi mudar isso simplesmente porque sinto essa energia do novo ano me dizendo que ainda há como consertar certas coisas na vida, conquanto haja vida..
brindo a um novo ano.
d-.-b Doors, Blues Magoos, Cream d-.-b
Barco algum atraca
Porto algum, tamanha solidão.
Chore não,
Nada mais é pra já.
No relento, a alma,
As horas sem perdão
Riem-se largas, leste a oeste.
Impenetráveis, insensíveis
Crueza, cada vez mais, só
Só o que salva é mesmo afundar.
Desespere não,
Há também luz no fundo;
Basta saber enxergar.
.[Cla Cavalin].
Acredito que, muitas vezes, ninguém é mais responsável do que nós mesmos no processo de criar "traumas" ou certos "contextos" que nos agridam; como quando, por exemplo, fazemos uma auto-critica negativista demais, alimentamos "sonhos" improváveis, impossíveis, especialmente se relacionado a algum senso-comum...
Esse poema, nessa mesma linha de raciocinio, o escrevi num dia triste, de solidão, e o terminei, do mesmo modo, bem pessimista.
No entanto, hoje resolvi mudar isso simplesmente porque sinto essa energia do novo ano me dizendo que ainda há como consertar certas coisas na vida, conquanto haja vida..
brindo a um novo ano.
d-.-b Doors, Blues Magoos, Cream d-.-b
29 de dez. de 2007
Brilho eterno de uma mente sem (muitas) lembranças

Tenho alma boêmia, não nego. Se saio só, tenho a Lua a olhar por mim; eu a contemplá-la, ela a flutuar somente. Hoje está tão melancólica, minguante, envergonhada. Velha companheira, tão bela que é doce e triste. Queria também poder ser assim: 7 dias plena, 14 sorridente, outros 7 despercebida. Sinto que sou 28 dias em 24 horas...
Outra noite sem rumo.
Esqueci os remédios. Não que fizessem muito efeito após quantas-tantas doses.
Esqueci as chaves. Boa hora para ter um caderno na fina luz do corredor. Na verdade, não preciso de muito mais que isso (pelo menos por enquanto).
Desculpe, querido, não lembro nem teu nome, nem qualquer telefone. De que importa? Não há ninguém em casa. Há casa?
Choro de criança no vizinho da frente.
Não lembro muito dos tempos de criança, tenho vaga lembrança da chuva no quintal, no entanto.
Não era um dia de chuva quando nos conhecemos? O que foi mesmo que tu me disseste naquela noite? Qual a data perdida daquele encontro?
Escuto passos no andar de cima.
Por certo não serão os teus...teus passos trilharam caminho para muito longe daqui...
Silêncio. Sozinha. Sóbria, silenciada. Sempre..
Não há loucura, há algo mais perdido aqui...
Aquele sorriso, a voz doce..chama-me de novo, por favor - para que te lembres de mim (só mais essa vez...).
Aquele abraço, o mesmo colo quente...
Me lembro de ti...
Loucura! Como houvera de não lembrar, se tu és mais que inesquecível?
Tu és aquilo que acontece numa vida, num segundo, numa permanência constante; aquilo que carrego estampado nos olhos, nos lábios, nos sonhos.
Tu és ainda mais que eu mesma; eu sou um pouco em ti.-E vice-versa(?)
Mas há essa distância..
Embora estejas longe, estás em mim.
Então eu me lembro... - de ti, de mim, de nós.
.[Cla Cavalin].
Outra noite sem rumo.
Esqueci os remédios. Não que fizessem muito efeito após quantas-tantas doses.
Esqueci as chaves. Boa hora para ter um caderno na fina luz do corredor. Na verdade, não preciso de muito mais que isso (pelo menos por enquanto).
Desculpe, querido, não lembro nem teu nome, nem qualquer telefone. De que importa? Não há ninguém em casa. Há casa?
Choro de criança no vizinho da frente.
Não lembro muito dos tempos de criança, tenho vaga lembrança da chuva no quintal, no entanto.
Não era um dia de chuva quando nos conhecemos? O que foi mesmo que tu me disseste naquela noite? Qual a data perdida daquele encontro?
Escuto passos no andar de cima.
Por certo não serão os teus...teus passos trilharam caminho para muito longe daqui...
Silêncio. Sozinha. Sóbria, silenciada. Sempre..
Não há loucura, há algo mais perdido aqui...
Aquele sorriso, a voz doce..chama-me de novo, por favor - para que te lembres de mim (só mais essa vez...).
Aquele abraço, o mesmo colo quente...
Me lembro de ti...
Loucura! Como houvera de não lembrar, se tu és mais que inesquecível?
Tu és aquilo que acontece numa vida, num segundo, numa permanência constante; aquilo que carrego estampado nos olhos, nos lábios, nos sonhos.
Tu és ainda mais que eu mesma; eu sou um pouco em ti.-E vice-versa(?)
Mas há essa distância..
Embora estejas longe, estás em mim.
Então eu me lembro... - de ti, de mim, de nós.
.[Cla Cavalin].
28 de dez. de 2007
Fim de Ano

Andei arrumando umas coisas aqui em casa, achei muitas caixinhas cheias de lembranças, lágrimas, suspiros; passados que, no fim, percebi não querer ter revirado.. assim como li certa vez em Bandeira, também tenho medo dessas cartas do passado, cheias de segredos que, de certo, não darão gosto ao emergir; já pertencem ao pó.
Enfim, num caderno desses, achei algumas considerações...
"Quero um dia de sol num copo d'água.. Quem foi que falou isso mesmo?
Não sei mais se o que penso é meu ou seu é dos outros... seríamos todos um só? Os seus, os meus e os nossos (Já ouvi isso em algum lugar...)
No começo, tudo é puro em si. Entretanto, mesmo que se deteriore com o tempo, valeria a pena viver só o começo? Valeria a pena viver só pelo começo?
Acreditar no pior somente quando o pior se apresentar."
.[Cla Cavalin].
Encontrei um dos primeiros poemas que fiz...
"Conhece-te a ti mesmo,
Resguarda0te para ti;
Mostrar-te-á quando convier.
Poderia parecer até redundante
caso a rima solucionasse
àquele que não me alcança."
.[Cla Cavalin].
E um texto que tentei, sem sucesso, retomar...
Conveniência
"Não me importa o quão interessado estejas neste assunto. Embora eu saiba que já não me queres mais ouvir, sabe (tu) fazê-lo, como tantas vezes, porque preciso falar-te.
Sim, eu sei, bem como tu, que não consigo desvencilhar-me da gramática e seus fatores proclíticos, prostrados, prolixos. Peço que não me julgues; afinal, todos temos telhado de vidro.
Para quê me enviaste maldito anel? Pareço-te piada? Está aqui, satisfeito? Célebre mas fúnebre, jaz naquele mesmo anelar a pedra é só e tão solitária. (texto inacabado, inexpressivo, infértil)."
.[Cla Cavalin].
É que às vezes o passado não quer ser (re)mexido, é algo sobre o qual não temos autoridade.
Que venha então o amanhã, para que o hoje seja fim, acabado e imutável; irremediável e irremovível, enfim.
.[Cla Cavalin].
Enfim, num caderno desses, achei algumas considerações...
"Quero um dia de sol num copo d'água.. Quem foi que falou isso mesmo?
Não sei mais se o que penso é meu ou seu é dos outros... seríamos todos um só? Os seus, os meus e os nossos (Já ouvi isso em algum lugar...)
No começo, tudo é puro em si. Entretanto, mesmo que se deteriore com o tempo, valeria a pena viver só o começo? Valeria a pena viver só pelo começo?
Acreditar no pior somente quando o pior se apresentar."
.[Cla Cavalin].
Encontrei um dos primeiros poemas que fiz...
"Conhece-te a ti mesmo,
Resguarda0te para ti;
Mostrar-te-á quando convier.
Poderia parecer até redundante
caso a rima solucionasse
àquele que não me alcança."
.[Cla Cavalin].
E um texto que tentei, sem sucesso, retomar...
Conveniência
"Não me importa o quão interessado estejas neste assunto. Embora eu saiba que já não me queres mais ouvir, sabe (tu) fazê-lo, como tantas vezes, porque preciso falar-te.
Sim, eu sei, bem como tu, que não consigo desvencilhar-me da gramática e seus fatores proclíticos, prostrados, prolixos. Peço que não me julgues; afinal, todos temos telhado de vidro.
Para quê me enviaste maldito anel? Pareço-te piada? Está aqui, satisfeito? Célebre mas fúnebre, jaz naquele mesmo anelar a pedra é só e tão solitária. (texto inacabado, inexpressivo, infértil)."
.[Cla Cavalin].
É que às vezes o passado não quer ser (re)mexido, é algo sobre o qual não temos autoridade.
Que venha então o amanhã, para que o hoje seja fim, acabado e imutável; irremediável e irremovível, enfim.
.[Cla Cavalin].
>>> imagem do filme "Elvis Pelvis"... quem o assitiu, entenderá a relação do texto com o mesmo. Quem não assistiu, recomendo.. esse filme é sublime..
Provocação...
26 de dez. de 2007
Eterna-Mente
Eu sabia que tinha isso guardado em algum lugar que não somente na cabeça...minha caixa de poemas é uma das unicas que não temo abrir...
Especialmente hoje, lembrei-me deste:
Eterno
E como ficou chato ser moderno.
Agora serei eterno.
Eterno! Eterno!
O Padre Eterno,
a vida eterna,
o fogo eterno.
(Le silence éternel de ces espaces infinis m'effraie).
- O que é eterno, Yayá Lindinha?
- Ingrato! é o amor que te tenho.
Eternalidade eternite eternaltivamente
eternávamos
eternissíssimos
A cada instante se criam novas categorias de eterno
Eterna é a flor que se fana
Se soube florir
é o menino recém-nascido
antes que lhe dêem nome
e lhe comuniquem o sentmento do efêmero
É o gesto de enlaçar e beijar
na visita do amor às almas
eterno é tudo aquilo que vive uma fração de segundo
mas com tamanha intensidade que se petrifica e [nenhuma força o resgata.
é minha mãe em mim que a estou pensando
de tanto que a perdi de não pensá-la
é o que se pensa em nós se estamos loucos
é tudo que passou, porque passou
é tudo que não passa, pois não houve
eternas as palavras, eternos os pensamentos; e [passageiras as obras.
Eterno, mas até quando? é esse marulho em nós de um [mar profundo.
Naufragamos sem praia; e na solidão dos botos afundamos.
É tentação e vertigem; e também pirueta dos ébrios.
Eternos! Eternos, miseravelmente.
O relógio no pulso é nosso confidente.
Mas eu não quero ser senão eterno.
Que os séculos apodreçam e não reste mais do que [uma essência.
ou nem isso.
E que desapareça mas fique esse chão varrido onde [passou uma sombra.
e que não fique o chão nem fique a sombra
mas que a precisão urgente de ser eterno bóie como uma [esponja no caos.
e entre oceanos de nada
gere um ritmo.
.[Ilmo. Sr. Carlos Drummond de Andrade].
Especialmente hoje, lembrei-me deste:
Eterno
E como ficou chato ser moderno.
Agora serei eterno.
Eterno! Eterno!
O Padre Eterno,
a vida eterna,
o fogo eterno.
(Le silence éternel de ces espaces infinis m'effraie).
- O que é eterno, Yayá Lindinha?
- Ingrato! é o amor que te tenho.
Eternalidade eternite eternaltivamente
eternávamos
eternissíssimos
A cada instante se criam novas categorias de eterno
Eterna é a flor que se fana
Se soube florir
é o menino recém-nascido
antes que lhe dêem nome
e lhe comuniquem o sentmento do efêmero
É o gesto de enlaçar e beijar
na visita do amor às almas
eterno é tudo aquilo que vive uma fração de segundo
mas com tamanha intensidade que se petrifica e [nenhuma força o resgata.
é minha mãe em mim que a estou pensando
de tanto que a perdi de não pensá-la
é o que se pensa em nós se estamos loucos
é tudo que passou, porque passou
é tudo que não passa, pois não houve
eternas as palavras, eternos os pensamentos; e [passageiras as obras.
Eterno, mas até quando? é esse marulho em nós de um [mar profundo.
Naufragamos sem praia; e na solidão dos botos afundamos.
É tentação e vertigem; e também pirueta dos ébrios.
Eternos! Eternos, miseravelmente.
O relógio no pulso é nosso confidente.
Mas eu não quero ser senão eterno.
Que os séculos apodreçam e não reste mais do que [uma essência.
ou nem isso.
E que desapareça mas fique esse chão varrido onde [passou uma sombra.
e que não fique o chão nem fique a sombra
mas que a precisão urgente de ser eterno bóie como uma [esponja no caos.
e entre oceanos de nada
gere um ritmo.
.[Ilmo. Sr. Carlos Drummond de Andrade].
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